
Com conhecimento técnico, cultura de segurança e consciência ambiental podemos promover o equilíbrio entre as árvores urbanas e a rede de energia elétrica.
Nos últimos tempos, tenho visto um movimento que coloca nas árvores uma parcela significativa de responsabilidade pelo desabastecimento de energia elétrica em áreas urbanas. Embora as árvores desempenhem um papel na interrupção do fornecimento de energia, elas estão longe de serem as grandes culpadas por esse problema.
É visto que a vegetação próxima às redes elétricas pode representar um risco potencial de interrupção do fornecimento de energia. Galhos que entram em contato com a rede elétrica podem causar interrupções no sistema. Além disso, em condições climáticas adversas, como tempestades e ventos fortes, árvores podem ser derrubadas, danificando os cabos e postes elétricos.
Em vez de culpar as árvores, é necessário adotar uma abordagem voltada a promover a coexistência harmoniosa entre a vegetação urbana e as redes elétricas. Todos querem os benefícios que as árvores proporcionam e todos querem energia elétrica nas suas casas.
Isso começa pela preparação de quem faz o manejo dessa vegetação. Eu trabalhei por quase 10 anos diretamente com equipes de manejo de árvores em redes aéreas de energia elétrica. Como Eng. Florestal e de Segurança, eu acompanhei o dia a dia e desafios dessas equipes e o impacto do desabastecimento de energia em função da vegetação.
O que eu percebi nesse tempo e me convenço cada vez mais a medida em que contínuo desenvolvendo treinamentos e acompanhamento de equipes de manejo, é que a técnica correta de poda é crucial para a convivência harmoniosa entre o vegetal e a rede.
Quando o corte no galho não é realizado no lugar correto, a árvore não cicatriza a lesão e ocorre o crescimento de brotações no local. Esses pequenos galhos não trazem nenhum benefício para a árvore e se projetam rapidamente em direção a rede provocando o desabastecimento de energia em pouco tempo.
Como a árvore não cicatriza a lesão, a ferida fica aberta funcionando como uma porta de entrada para fungos e bactérias, o que pode levar a degradação da madeira enfraquecendo e desestabilizando a árvore. Esse é o grande motivo pelo qual as árvores tombam em caso de ventos fortes e temporais.
Já quando a técnica correta é aplicada e o corte é realizado no lugar certo, a árvore cicatriza naturalmente a lesão, as brotações não crescem no local e a árvore segue o seu desenvolvimento normal. O tempo para o novo manejo é maior e a chances de novos galhos tocarem a rede é muito menor.
As árvores só apresentam risco para o fornecimento de energia quando não são manejadas corretamente. Com conhecimento técnico, cultura de segurança e consciência ambiental podemos promover o equilíbrio entre as árvores urbanas e a rede de energia elétrica.
Gabriel Dalla Costa Berger
Eng. Florestal e Seg. do Trabalho
gabrielberger.com.br


